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Mostrando postagens de setembro, 2023

Os Impossíveis Recomeços...

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Recomeço das aulas, novos planos, vontade de fazer melhor. A vida continua apenas. Ela pode mudar, pode ser reorientada, se eu, você, ele, nós tivermos muque para isso.. Claro que esse "muque" é feito de fé, de confiança na vida, de confiança em nós e em Deus. Fé. É preciso acreditar que as coisas valem a pena. E recomeçar todos os dias. Se a vida nos esmaga, pesa, dói, precisamos "clamar" ao Senhor da vida, do tempo, da morte, da ressurreição, e agarrar-nos de unhas e dentes à Esperança, essa menininha frágil e imortal. Ajuda-nos a crer na vida, Senhor, apesar do cansaço, da doença, dessa dor comprida que não acaba nunca. Ajuda-nos a crer no amor, inclusive e sobretudo no amor cotidiano, que rebrota depois de todos os abandonos, como aquele brotinho que aparece em cima do tronco que a moto-serra derrubou. É isso aí, Senhor. Estou pensando numa porção de gente a quem a vida tem maltratado muito e que encontra sempre, e ainda, um sorriso - lindo - nascido, a gente ne...

Padre Total

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 Outro dia, de repente - foi mesmo como se fosse de repente - fiz 43 anos de padre. E foi tão bom. É assim: "outro dia", num dia antigo e sempre novo - um jovem que mal passava dos 20 anos, envolvido em suave confiança em Maria, exatamente na festa de sua Imaculada Conceição, se entregava inteiramente ao serviço de Deus. Quando digo: "entregava-se inteiramente", tenho consciência de que era mesmo uma entrega total. Com uma determinação sem reservas. Eu não estava escondendo nada, não havia nenhuma segunda intenção, não guardava para mim nenhum segredo. Estava inteiro ali, naquele rapaz estendido prostrado diante do altar, como quem morre para começar tudo de novo, igual a um ressuscitado. Tive dificuldades na vida. Mas nunca voltei atrás na minha entrega e, com a graça de Deus, quero vivê-la até o fim. (Padre Paschoal Rangel) Imaculada Conceição In, Jornal O Lutador, 26 de Fevereiro de 1989. 

A Importância do Trivial

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 Contemplo maio se acabando com uma leve melancolia. Todo o resto do ano carrega alguma coisa de cinzento. Não é à toa que esse tempo (como direi?) - plúmbeo - leva, na liturgia da Igreja Católica, o nome meio cinzento também de "tempus per annum", ou seja, o tempo através do ano. Traduziram isso ao português por "tempo comum", ainda mais inexpressivo do que o "tempo através do ano". É o tempo em que não acontece nada, e, simultaneamente, em que acontece tudo. Pois nossa vida é feita de feijão com arroz, e não de caviar e champagne francês. É no todo dia, romântico ou seco, mas sem espetaculares relevos, que a vida rola. E é nessa vida aí, trivial, feita de alegriazinhas e sofrimentozinhos, que não é nenhum palco iluminado nem nenhum chão de estrelas, mas chão de chão mesmo - que o mundo e a existência do homem se constroem. É aí que as famílias se formam e os filhos se criam; que as lutas políticas se travam, entre mentiras, ideais sinceros, demagogia, es...

1984...

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 E já navegamos águas de 84.  A sugestão irreprimível é o livro de George Orwell, "1984". A gente pode pensar que é impensável, que é, ao menos, inverossímil, aquela história de um programa diário de "Dois minutos de ódio", de que fala Orwell. Mas quando se assiste hoje, no Brasil, a certos noticiários ou declarações de TV, não há como duvidar de que estão servindo ódio. E por bem mais de dois minutos diários. Há programas que nos dão raiva do mundo. Vontade de sair gritando, rasgando a camisa, arrancando os cabelos. Um Juiz de Direito me dizia certa vez, que tinha riscado da vida dele os jornais de tevê. Ele acabava aquilo, todos os dias, angustiado, arrasado, quase vomitando. Vinte minutos de angústia e ódio. Concentra-se ali, na casa do espectador, toda a violência e maldade das 24 horas do mundo inteiro. Mas é bom não esquecer que, nessas mesmas 24 horas, pelo mundo a fora, houve milhões de atos e sentimentos de ternura, de bondade, de leveza, de fé, de santidad...

Conversar

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  Esse negócio de conversar... Lembrava, há alguns anos, o então Cardeal Albino Luciani (que foi Papa João Paulo I por um mês...), no seu bonito "Illustrissimi", os comentários do humorista José Joaquim Belli sobre o abade Francisco Concellieri: o abade "começava a falar de rabanetes, depois de cenouras com beringelas, e acabava com o incêncio de Tróia"! Conversa é assim meio maluca mesmo. A gente nem sabe como passa de um assunto a outro. Mas, apesar disso, há conversas, deliciosamente boas. Variadas como programas de televisão, onde se buscaria inutilmente uma sequência qualquer. Mas, às vezes, cheias de graça e até de sabedoria. Conversa puxa conversa, como palavra puxa palavra em certos autores - São Paulo em suas cartas, por exemplo. Mas se você tem a sorte de encontrar o conversador nato, o papo firme, aí você atravessa a noite, a madrugada. Melhor ainda é a roda em que você consegue discutir as coisas. (Padre Paschoal Rangel) ______ In, Jornal O Lutador, 4 de...