Santo Tomás de Aquino escreveu um livro, chamado Summa Theologiae, ou seja, um "resumo de teologia": são quatro grossíssimos volume, que em formato 8, corpo 8, quer dizer, em letras bem miúdas, ocupam cerca de 3200 páginas. Se não fosse um "resumo"... O mais interessante é que ele inicia a obra dizendo: "Uma vez que o doutor ou o mestre da verdade católica não deve instruir apenas os mais adiantados, mas lhe compete também ensinar aos iniciantes, de acordo com o que diz o Apóstolo na 1 Cor 3, 1-2: "eu voz dei leite por bebida, como se faz com os que, em Cristo, são criancinhas, é nosso propósito, nesta obra, transmitir as questões de religião cristã de modo adaptado à aprendizagem dos iniciantes". (Suma Teológica, Prólogo). A Suma é um dos mais notáveis livro de teologia católica de todos os tempos. Um livro que já foi comentado por centenas e centenas de teólogos, e professores, e historiadores da filosofia. Uma obra complexa, que deu origem a vári...
Contemplo maio se acabando com uma leve melancolia. Todo o resto do ano carrega alguma coisa de cinzento. Não é à toa que esse tempo (como direi?) - plúmbeo - leva, na liturgia da Igreja Católica, o nome meio cinzento também de "tempus per annum", ou seja, o tempo através do ano. Traduziram isso ao português por "tempo comum", ainda mais inexpressivo do que o "tempo através do ano". É o tempo em que não acontece nada, e, simultaneamente, em que acontece tudo. Pois nossa vida é feita de feijão com arroz, e não de caviar e champagne francês. É no todo dia, romântico ou seco, mas sem espetaculares relevos, que a vida rola. E é nessa vida aí, trivial, feita de alegriazinhas e sofrimentozinhos, que não é nenhum palco iluminado nem nenhum chão de estrelas, mas chão de chão mesmo - que o mundo e a existência do homem se constroem. É aí que as famílias se formam e os filhos se criam; que as lutas políticas se travam, entre mentiras, ideais sinceros, demagogia, es...
Outro dia, de repente - foi mesmo como se fosse de repente - fiz 43 anos de padre. E foi tão bom. É assim: "outro dia", num dia antigo e sempre novo - um jovem que mal passava dos 20 anos, envolvido em suave confiança em Maria, exatamente na festa de sua Imaculada Conceição, se entregava inteiramente ao serviço de Deus. Quando digo: "entregava-se inteiramente", tenho consciência de que era mesmo uma entrega total. Com uma determinação sem reservas. Eu não estava escondendo nada, não havia nenhuma segunda intenção, não guardava para mim nenhum segredo. Estava inteiro ali, naquele rapaz estendido prostrado diante do altar, como quem morre para começar tudo de novo, igual a um ressuscitado. Tive dificuldades na vida. Mas nunca voltei atrás na minha entrega e, com a graça de Deus, quero vivê-la até o fim. (Padre Paschoal Rangel) Imaculada Conceição In, Jornal O Lutador, 26 de Fevereiro de 1989.
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