IGREJA - Encontro/Desencontro
A Igreja ainda não conseguiu um encontro, sem colisão, com o mundo moderno. Mas nós vivemos, queiramos ou não, dentro deste mundo. Um mundo com valores, reivindicações, expectativas, linguagem, filosofia, doenças (culturais e outras), comportamentos, hábitat, relacionamentos sociológicos, econômicos, ecológicos, religiosos ou anti-religiosos, muito característicos. Um mundo que acabou criando um homem, um tipo humano, bem diferente daquele com que a Igreja estava habituada a lidar. O homem moderno cria dificuldades para a Igreja já instaurada. Mais ou menos como o homem do Extremo Oriente sempre as criou.
Nascida no Oriente Médio, a Igreja teve, energias e vitalidade bastante para ocidentalizar-se e criar um cristianismo greco-romano, mediterrâneo; mais tarde, superou a devastação e a barbarização do Império e soube criar um cristianismo novo para o "novo" mundo que ia nascer das ruínas do Império Romano e das razias dos povos semi-selvagens. Pois essa Igreja está hoje pelejando sem muito fruto, para criar um cristianismo do Mundo Moderno, desse mundo nascido da Renascença, das novas filosofias, do Iluminismo, das revoluções políticas e econômicas, inventando uma nova civilização urbana, industrial, tecnológica, secularizada. A notável tentativa de São Francisco de Sales e dos humanistas católicos do século XVI e XVII de uma "devoção moderna" teve um êxito limitado. Tanto em filosofia como em política ou sociologia, houve também esforços localizados e não suficientemente expressivos para mudarem a posição da Igreja como um todo. No entanto, esse mundo caminhou contra ou apesar da Igreja que se guetificou, não obstante os esforços de Leão XIII na transição para o século XIX para o XX e da Ação Católica depois dos anos 20.
Quando, afinal, o Concílio Vaticano II resolveu fazer a Igreja encontrar-se mesmo com o nosso mundo - a crise estourou: o mundo ficou firme, mas a Igreja balançou. Conhecer melhor esse homem que nasceu com o mundo moderno, para poder falar a ele de Cristo - eis um desafio a vencer. Ainda e sempre.
Padre Paschoal Rangel (1)
(1) Jornal O Lutador. Edição 6/11/1984.

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