Igreja e Batismo: As crianças mortas sem Batismo
Uma pergunta que muitos católicos costumam fazer com alguma angústia, é: "Que acontece com as crianças que morrem sem batismo?"
O cuidado que a Igreja demonstra, seja na pastoral, seja no Direito Canônico, para que não se deixe nenhuma criança morrer sem batismo; a determinação do Código sobre o batizado dos fetos abortivos; o ensinamento de que se batizem as crianças em perigo de morte, mesmo contra a vontade dos pais, deixam muito claro que a Igreja acredita na importância fundamental do batismo para a salvação eterna. E, pelo menos, teme pela sorte eterna dos que não foram batizados. A palavra de Cristo a Nicodemos é muito forte: "Quem não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no Reino dos céus" (Jo 3, 5).
Por outro lado, repugna pensar que milhões de seres humanos, por cuja salvação Jesus se entregou à morte, fiquem privados da felicidade eterna, sem nenhuma culpa pessoal. Era uma terrível angústia que atormentava Santo Agostinho, como ele confidenciou a São Jerônimo, em carta (Cf. Epístula CLXVI, in Obras de San Agontín, Tomo XI, Madri, BAC, pg 480: "Sinto o coração apertado de grande angústia, mas não encontro nada para responder a essa questão" - escrevia o Bispo ao velho e sábio eremita).
Há sempre os otimistas, para quem "está claro que Deus é bom e não vai abandonar as criancinhas, que não têm culpa de nada, a uma condenação desmedida". Há sempre os rigoristas, que não querem deixar-se levar por sentimentalismos e acham que a palavra de Jesus a Nicodemos (Jo 3, 5), citada acima, tem de ser tomada ao pé da letra.
É bom que se note, entretanto, que, se Jesus ligou a salvação ao batismo na água e no Espírito, como norma para a Igreja, Ele mesmo não está obrigado a essa norma. Por ex., não consta em nenhum lugar do Novo Testamento que os Apóstolos tenham recebido o sacramento do batismo. A Igreja tem de procurar fazer aquilo que Jesus mandou fazer, mas não pode querer obrigar Deus a ficar limitado aos caminhos normais a que ela está sujeita. Só que nós não conhecemos os caminhos de Deus, nem se ele, no caso do batismo, quer fazer algo diferente do que mandou a Igreja fazer. A nós compete, em casos tão sérios assim, seguir o caminho mais seguro, a fim de não pormos em risco a sorte eterna dos outros.
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| O Batismo de Cristo - Leonardo da Vinci (1475) |
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