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Herói

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Ao Pe Júlio Maria de Lombarde, fundador dos Padres Sacramentinos de Nossa Senhora. Manhumirim - 8 de janeiro de 1944. __________ Uma vez sôbre um berço de alegria, Ouviu-se a voz profética de Maria, Divina a dizer: ¨Este menino que hora nasce, e chora, Há de brilhar, fulgindo mundo a fóra, Há de o mundo vencer¨. O menino cresceu. E a providência Foi-lhe marcando os passos da existência, Com infinito amor. O menino cresceu... e a honra, e a fama, Que o seguiam, não era mais que lama, Pra seu viril fervor. Andou... Fez-se padre. O triste mundo Era pequeno para o amor profundo, Dessa alma de Deus. Queria ver a terra convertida E a alma humana feita para a vida, Subir radiosa aos céus. E trabalhava como um herói trabalha; Nunca mediu o peso da batalha Na luta contra o mal. Como o tufão que turbilhona a terra, Assim, a fôrça mágica que encerra Seu divino ideal. Até que numa noite luminosa Entre nuvens de um sonho cor de rosa Uma voz êle ouviu: "Ergue-te, filho, e deixa a Europa antiga,...

Poesia

 A gente precisava de dar um pouco mais de tempo à poesia. Sobretudo em tempos sombrios como esses em que vivemos. Não para esquecer, não para fugir. Mas para alimentar-nos. Para sugarmos um pouco de humanidade, que nos ajude a lutar com luz, furor e rebeldia, pelo homem. Sem poesia, a luta vira briga, ponta-pé, dor de ouvidos, soco na boca do estômago. E as próprias vitórias ficam sem graça, como um riso sem dentes. Sem poesia, a gente fica na maior pobreza. Uma pobreza sem bem-aventuranças e sem alegria. É como quem ri tapando a boca com as mãos. Padre Paschoal Rangel. In, O Lutador, 23 de Setembro de 1984.

Mães

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 Dá vontade de fazer uma "Ladainha de todas as mães". Mães de antigamente com sua penca de filhos. Donas de casa, criadoras de novas gerações. Mães de hoje, heroínas de um filho só, dois no máximo, morando em "apertamentos"; cercadas de perigos por todos os lados, cercadas de preconceitos, curtindo, às vezes dolorosamente, a libertação que lhes viria do trabalho profissional fora de casa, obrigadas a crer que ser domésticas e educar filhos é conversa medieval. Enfim, mães de todos os tipos, nós queremos rezar por vocês nossa ladainha de amor, de fé. Nossa Senhora Auxiliadora Padre Paschoal Rangel, In, O Lutador 14 de Maio de 1989.

Crises...

Tenho a nítida certeza de que o problema da crise está sendo mal posto, e sua solução, mal encaminhada. Pois os problemas econômicos não são apenas econômicos, mas também políticos; os problemas políticos não são apenas políticos, mas também sócio-morais; os problemas sócio-morais não são apenas sócio-morais, mas religioso-culturais; os problemas religioso-culturais não são apenas religioso-culturais, mas metafísicos e teológicos. Ora, os problemas metafísicos e teológicos não são apenas metafísicos e teológicos. Mas  econômicos... É uma roda, não uma linha reta ou um segmento de reta. _______________ Paschoal Rangel. In O Lutador, 26/09/1982.

Os Impossíveis Recomeços...

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Recomeço das aulas, novos planos, vontade de fazer melhor. A vida continua apenas. Ela pode mudar, pode ser reorientada, se eu, você, ele, nós tivermos muque para isso.. Claro que esse "muque" é feito de fé, de confiança na vida, de confiança em nós e em Deus. Fé. É preciso acreditar que as coisas valem a pena. E recomeçar todos os dias. Se a vida nos esmaga, pesa, dói, precisamos "clamar" ao Senhor da vida, do tempo, da morte, da ressurreição, e agarrar-nos de unhas e dentes à Esperança, essa menininha frágil e imortal. Ajuda-nos a crer na vida, Senhor, apesar do cansaço, da doença, dessa dor comprida que não acaba nunca. Ajuda-nos a crer no amor, inclusive e sobretudo no amor cotidiano, que rebrota depois de todos os abandonos, como aquele brotinho que aparece em cima do tronco que a moto-serra derrubou. É isso aí, Senhor. Estou pensando numa porção de gente a quem a vida tem maltratado muito e que encontra sempre, e ainda, um sorriso - lindo - nascido, a gente ne...

Padre Total

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 Outro dia, de repente - foi mesmo como se fosse de repente - fiz 43 anos de padre. E foi tão bom. É assim: "outro dia", num dia antigo e sempre novo - um jovem que mal passava dos 20 anos, envolvido em suave confiança em Maria, exatamente na festa de sua Imaculada Conceição, se entregava inteiramente ao serviço de Deus. Quando digo: "entregava-se inteiramente", tenho consciência de que era mesmo uma entrega total. Com uma determinação sem reservas. Eu não estava escondendo nada, não havia nenhuma segunda intenção, não guardava para mim nenhum segredo. Estava inteiro ali, naquele rapaz estendido prostrado diante do altar, como quem morre para começar tudo de novo, igual a um ressuscitado. Tive dificuldades na vida. Mas nunca voltei atrás na minha entrega e, com a graça de Deus, quero vivê-la até o fim. (Padre Paschoal Rangel) Imaculada Conceição In, Jornal O Lutador, 26 de Fevereiro de 1989. 

A Importância do Trivial

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 Contemplo maio se acabando com uma leve melancolia. Todo o resto do ano carrega alguma coisa de cinzento. Não é à toa que esse tempo (como direi?) - plúmbeo - leva, na liturgia da Igreja Católica, o nome meio cinzento também de "tempus per annum", ou seja, o tempo através do ano. Traduziram isso ao português por "tempo comum", ainda mais inexpressivo do que o "tempo através do ano". É o tempo em que não acontece nada, e, simultaneamente, em que acontece tudo. Pois nossa vida é feita de feijão com arroz, e não de caviar e champagne francês. É no todo dia, romântico ou seco, mas sem espetaculares relevos, que a vida rola. E é nessa vida aí, trivial, feita de alegriazinhas e sofrimentozinhos, que não é nenhum palco iluminado nem nenhum chão de estrelas, mas chão de chão mesmo - que o mundo e a existência do homem se constroem. É aí que as famílias se formam e os filhos se criam; que as lutas políticas se travam, entre mentiras, ideais sinceros, demagogia, es...